sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Verbo da Vida no prólogo Joanino

O VERBO DA VIDA NO PRÓLOGO JOANINO

1. ELE É O DEUS ETERNO E CRIADOR

“O verbo se fez carne e habitou entre nós...”. (1.1-5). Neste prólogo, João afirma em tão poucas palavras, a singularidade de Cristo e as grandes conseqüências desse auto-sacrifício incorporado na encarnação. João anuncia o seu tema principal – a glória de Jesus Cristo demonstrada por meio de tudo o que ele disse e fez.

Jesus, o verbo, é o Deus eterno, autor de toda a criação. Ele é antes de tudo. Citando o apóstolo Paulo, Nele tudo subsiste (Cl. 1.13-18)

2. ELE É O DEUS HISTORICAMENTE ENCARNADO

Jesus é autor de sua própria manifestação terrena.

O verbo se fez”. Maria é apenas serva recipiente do Criador de todas as coisas.

O verbo se fez carne e habitou entre nós. Deus, em Cristo, tornou-se homem, para exercer o papel exclusivo, de suficiente e eficiente mediador.

“Vimos sua glória“ (1.14). A forma verba “vimos”, indica uma visão firme, cuidadosa e deliberada. A ação desse verbo indica alguém que busca interpretar o objeto ou alvo de sua visão, examina com cuidado, estuda-o e o considera atentamente.

Jesus não era um fantasma, uma aparição. Seu corpo não era uma ilusão. Além de João enfatizar a divindade de Cristo, ele deixa claro que o filho de Deus veio em carne e osso, ainda que sem pecado. Sujeitou-se às fragilidades da natureza humana. O Verbo não era um conceito abstrato nem uma filosofia, mas uma Pessoa real, que podia ser vista, tocada e ouvida. O Cristianismo é Cristo; e Cristo é Deus-homem.

A encarnação do verbo acentua a intervenção extraordinária de Deus na história humana. Jesus sempre existiu antes mesmo do princípio do mundo começar, pois, “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4.). João está explicando a encarnação sobrenatural do verbo que veio participar da história[1]. O criador do universo, a partir da encarnação, passou a ocupar um lugar no espaço da terra.

3. ELE É O MEDIADOR PERFEITO

Diferente dos outros três evangelistas, João começa a história na eternidade. É a partir da eternidade que ele entende o significado da obra de Cristo. Deus fez uma intervenção divino-humana na história para resplandecer a luz perfeita no mundo que jaz em trevas. (1.5)

Todos que, pela graça de Deus, crêem no nome de Cristo serão feitos filhos de Deus.

Sua obra diferencia os homens em criatura e filhos. Os que o recebem tornam-se filhos. (1.12).

Tornar-se filho não depende meramente da vontade do homem. Os filhos não nasceram segundo a vontade da carne ou sangue, mas da ação, da vontade de Deus. (1.14).

4. ELE É O MESSIAS ANUNCIADO

Ele é aquele a quem se referia Moisés e os profetas (1.45).

João Batista foi um servo escolhido de Deus para testificar ao povo acerca da obra salvadora de Jesus a fim de que todos viessem a crer nele (1.7).

Embora fosse um solitário arauto sem credenciais, João, o Batista, ousou ser profeta num tempo em que a profecia estava relegada a um passado tradicionalista. Sua única motivação era o sentido da missão para a qual veio; embora seja considerado o maior dos profetas[2] (Mt 11.7-13 ) seu único objetivo era apontar para alguém além de si mesmo. Alguém superior a ele próprio. Nas palavras do próprio João “É este a favor de quem eu disse: Após mim vem um varão que atem a primazia, porque já existia antes de mim” (1.30)[3]

Conclusão:

A mensagem de João, o Batista, tinha como propósito básico, dar testemunho da verdadeira luz. Preocupado com sua geração, apontava a Luz para o mundo que contentava em viver em trevas. Por esta razão, ele aponta para Jesus, O Verbo (Jo 1.14a). A verdadeira luz.

Jesus: Deus Eterno e Criador, Deus encarnado, Mediador Perfeito, Messias anunciado.

A Ele seja dada toda a glória, "tanto agora como no dia eterno"



[1] Como o próprio João explica, o verbo existe desde o princípio. Entretanto, sua participação na natureza humana é histórica, temporal, cronológica.

[2] Jesus está apontando para o fato de que João Batista, por ser o seu precursor, foi o último profeta que antecedeu a ele mesmo, Jesus, o Grande Profeta. Nesse sentido, João, o Batista é um marco histórico do encerramento do ministério profético e a inauguração do início do exercício ministerial de Jesus, o Redentor- profeta-sacerdote-rei (vide pgs. 23 3 24 do Breve Catecismo).

[3] É bom lembrar que, historicamente (Kronos), o nascimento de João Batista antecedeu ao nascimento de Jesus Cristo por um período de aproximadamente seis meses (Lucas 1.24-27). Entretanto, João está enfatizando a eternidade do verbo que, no tempo anterior à história humana (Kayros), estava com Deus (João 1.1). E esta primazia a qual João se refere.

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